Me preocupa a falta de interpretação, de contextualização, em relação aos eventos brasileiros com a decoração inspirada na importada.
Um estilo novo de decorar eventos nos Estados Unidos - fortalecido e popularizado após a recessão de 2008/2009 - aproveita garrafas e vidros usados, suqueiras, os canudinhos retrô que postei inúmeras vezes aqui e no Casarei, flores comuns e relativamente baratas, objetos pessoais do anfitrião. Reciclagem de móveis, tecidos amassados (normalmente o destaque fica com o linho), velas, objetos em cobre e prata, madeira de demolição, livros antigos, papel craft...
O bolo dificilmente é de pasta americana, a decoração é simples (com mistura de cadeiras com cara de usadas e toalhas de cores pastéis), e, vez ou outra, alguma inspiração no estilo da decoradora Rachel Ashwell - a responsável em divulgar o estilo shabby chic (chique desgastado, com idade).
Alguns festeiros na intenção de fazer uma decoração diferente, moderna; utilizam muitos itens vintages, e acabam criando uma decoração caricata. Um mau gosto novo, eu acho. A mistura do shabby + vintage ou retrô não é condenável, mas tem que pegar muito leve para ficar harmonioso.
Veja essa imagem da mesa de bebidas, num casamento lindo no Rio de Janeiro: vista para o cristo redentor, canudinho retrô, suqueiras, garrafa da Pepsi vintage (a-mei!)... e as plaquinhas em inglês! Chorariam a lemonade e a ice tea se o noivo não fosse americano, porque nesse caso, as plaquinhas estão sim contextualizadas.
Não tem nada daquela cafonalha ampla com trilhões de forminhas de tecido e milhares de flores. A receita ideal: um olho no bolso, o outro no bom gosto, sem esquecermos da cultura brasileira, da nossa história.
Ah, obviamente não sairei ilesa desse post. Meu casamento teve as malditas forminhas de tecido que custam mais que o próprio doce...
































